segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Dicas de poupança: siglas que o podem fazer poupar milhares de euros

Resultado de imagem para creditoDa próxima vez que for a um banco ou uma financeira pedir um crédito para uma casa, um carro, obras ou seja para o que for tenha em atenção estas duas siglas. São as siglas que o vão ajudar a poupar muito dinheiro, eventualmente muitas dezenas de milhares de euros, se o valor do empréstimo for elevado

As siglas são TAEG e MTIC. Comecemos pela “tradução”: TAEG significa Taxa Anual Efetiva Global; MTIC quer dizer Montante Total Imputado ao Consumidor.
Para começar, esqueça o spread. O spread já foi um critério de escolha entre propostas de bancos. Quando pedi o meu crédito para a casa, foi com base no spread que escolhi. Sabia lá eu o que era a TAER (era assim que se chamava na altura, se é que existia em 2007). Só quis saber do spread e esqueci-me de comparar o que pago todos os meses em seguro de vida, seguro multirriscos, anuidades de cartões, etc, etc. Em muitos casos dão de um lado e tiram do outro. O spread baixo pode sair mais caro ao fim do ano do que um spread um pouco mais alto mas com menos serviços associados.
Agora, desde 1 de janeiro, o Banco de Portugal obriga todos os bancos e financeiras a entregar ao potencial cliente a FINE (Ficha de Informação Normalizada Europeia) com esses valores todos juntos, numa taxa total em percentagem e em montante total. Esta informação é preciosíssima para os consumidores.
Finalmente, é possível comparar os mesmos montantes e os mesmos prazos e condições e saber quem está a levar mais e quem está a levar menos, independentemente do spread proposto. Basta saber que linhas procurar na tal FINE.

COMPARAR SEMPRE

Ao receber a FINE de 3, 4 ou 5 bancos (os que consultar) vai ser mais fácil comparar exatamente o que lhe estão a “oferecer” em relação ao seu crédito.
O cliente deve receber uma FINE quando faz a simulação do empréstimo, tendo por base a informação por si prestada à instituição, e, posteriormente, outra aquando da comunicação da aprovação do contrato de crédito, refletindo as características do empréstimo efetivamente aprovado pela instituição. Portanto, não assuma que não precisa de ler a segunda FINE. Pode ser diferente daquela que o convenceu a optar por aquele banco.

O QUE DEVE PROCURAR NA FINE?

Na Ficha de Informação Normalizada Europeia vai encontrar os seguintes dados:
- A taxa anual de encargos efetiva global (TAEG);
- A taxa anual nominal (TAN) aplicável ao empréstimo de acordo com o tipo de taxa de juro (taxa fixa, variável ou mista);
- Comissões, despesas, seguros exigidos e outros custos;
- O montante do empréstimo e o montante total a reembolsar (MTIC);
- A periodicidade e o montante das prestações;
- A informação sobre os produtos e serviços financeiros contratados como vendas associadas facultativas, se aplicável.
Quer o crédito ao consumo, quer o crédito à habitação passam a ser definidos pela TAEG. É muito importante que fixe isto. Com estas informações, a partir de agora (antes já era, mas a partir de agora ainda mais) já não pode dizer que não sabia. Nunca se esqueça de que quando assina um documento é porque concorda. Se assina sem ler, e depois é apanhado de surpresa, a culpa não é dos outros.
E se já tiver um crédito, como faz para saber o seu MTIC?
Boa pergunta. A FINE só é entregue quando se pede uma simulação e depois é repetida quando é formalizada a proposta “oficial” de crédito. Não é para créditos já aprovados.
Mas muito provavelmente receberam a FIN (a antiga) quando fizeram os vossos créditos. Podem é não ter olhado para ela com olhos de ver, ou só quiseram saber do spread e mais nada. O resto era tudo um mal necessário, não era? Está lá a TAER (que agora se chama TAEG). É a mesma coisa. Só não tem o MTIC. Mas podem pegar no valor do empréstimo, calcular a TAER, multiplicar o valor anual dos juros pelos anos que tem o empréstimo, somar tudo ao valor emprestado e o valor que vos der será aproximado ao MTIC. Digo aproximado porque entretanto as taxas de juro foram sendo alteradas ao longo do tempo, bem como as anuidades dos cartões e comissões, os seguros de vida e o multirriscos.
A FINE é só para novos contratos. Mas entretanto podemos fazer uma coisa para não sermos apanhados desprevenidos no futuro. A minha forma de ter a “FINE” agora foi pedir à minha gestora de conta que me enviasse por e-mail o meu plano de pagamentos de juros, amortização e seguro de vida (mês a mês) até ao fim do meu contrato. Foi esse documento que me assustou e que me levou a fazer muitas das reportagens que já conhecem no Contas-poupança.
O meu caso é dramático. A dada altura vou estar a pagar quase 800 euros por mês, até aos 82 anos. A minha batalha é descobrir todos os truques possíveis para baixar essa conta nos próximos 20 anos, antes de me reformar. Nem quero acreditar no contrato que assinei, e ainda hoje não acredito que o banco também aceitou. Acho que a loucura naqueles anos era coletiva.
Em resumo, se ficou curioso por saber a sua situação, peça o tal plano de pagamentos com os valores de hoje. Já me disseram que há bancos que cobram por este documento. Na CGD não paguei nada e foram rápidos. E assuste-se ou fique descansado, confirme o que vir nesse documento.

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