segunda-feira, 5 de outubro de 2015

SIL 2015: “Novo Governo tem de rever a fiscalidade do imobiliário, que é um entrave ao desenvolvimento”

O Salão Imobiliário de Portugal (SIL) 2015, maior feira imobiliária do país, arranca esta quarta-feira (dia 7) – realiza-se na FIL, em Lisboa, e termina dia 11. Luís Lima, que desde 2013 é presidente do conselho estratégico do SIL, revela, que “o investimento estrangeiro e a internacionalização continuarão a ser uma aposta” na edição deste ano.

Segundo o responsável, que também é presidente da APEMIP e da CIMLOP, continua a existir em Portugal a cultura da “casa própria”, uma tendência que deve ser invertida, “especialmente pelas novas gerações que valorizam mais a facilidade da mobilidade e as vantagens de não estar ‘preso’ a um ativo”. Ao novo Governo, e no dia após as eleições, deixa um pedido claro para dinamizar do imobiliário: "É preciso rever a fiscalidade", reclama Luís Lima, em nome do setor.
Qual a importância do SIL para o setor do imobiliário?
O SIL é a única feira representativa deste setor no país, e por isso uma oportunidade única para o promover interna e externamente. O SIL tem sido sempre um espaço privilegiado para a reflexão e debate que esta atividade merece, e aposta nas pontes com os mercados internacionais que procuram a nossa oferta, desenvolvendo deste modo uma eficaz diplomacia económica.

Disse, no ano passado, que o SIL 2014 ia ser um dos melhores dos últimos anos. E do SIL de 2015 o que se pode esperar? Que novidades haverá?
Esperamos sempre que a nova edição seja melhor que a anterior, como é natural, e para este ano tudo indica que assim será. O mercado interno tem registado uma maior dinâmica, que creio que se refletirá nesta edição, tanto no que concerne aos expositores como no número de visitantes. Daremos continuidade à estratégia da edição passada, com uma forte aposta na internacionalização do setor, com atividades que visam a promoção deste tipo de investimento, em particular por via dos programas de Autorização de Residência para Atividades de Investimento (Vistos Gold) e do Regime Fiscal para Residentes Não Habituais, e também promoveremos o necessário debate sobre o futuro do setor, nomeadamente no que diz respeito aos mercados do arrendamento urbano e reabilitação urbana.

O SIL pode servir como um “mini barómetro” da Economia?
Sim, creio que podemos afirmar que o SIL é um “mini barómetro” da nossa economia. O setor imobiliário depende diretamente da situação económica do país, como é sabido. A edição deste ano contará com um maior número de expositores, esperamos também que com um maior número de visitantes, e isso significa que a confiança interna na economia está a crescer, ainda que a um ritmo tímido.

A captação de investimento estrangeiro e a internacionalização continuam a ser a grande aposta? Porquê e durante quanto tempo se justifica esta aposta?
O setor imobiliário é um dos mais importantes para o desenvolvimento económico dos países, e a nós, profissionais do setor, cabe-nos o papel de procurar sempre as opções mais viáveis e as melhores saídas para que os mercados funcionem bem, com um dinamismo positivo. O investimento estrangeiro e a internacionalização continuarão a ser uma aposta da nossa parte, e justificar-se-á enquanto registarmos interesse e procura por parte de potenciais investidores estrangeiros. Vivemos num mundo globalizado, e não tenho dúvidas de que o futuro do imobiliário passa pela profissionalização e internacionalização do setor.

Quais os principais mercados para onde agora estão orientados? 
Durante este ano e no âmbito da estratégia de internacionalização do SIL fizemos pontes com os mercados que mais procuram o nosso imobiliário, como o chinês o francês ou brasileiro, e como tal são estes os principais mercados para onde estamos orientados. Promovemos Portugal com ações em Xangai, Paris, Lyon e São Paulo, com o intuito de promover o país e a sua oferta imobiliária de qualidade.

A reabilitação urbana e o mercado de arrendamento também têm sido muito debatidos no SIL. Também será assim este ano? 
O foco principal será, como tem sido, a internacionalização, mas a reabilitação e o arrendamento continuarão também no centro do debate desta edição, até porque se conjugam com a internacionalização que será “a cereja no topo do bolo”. No que concerne ao mercado da reabilitação urbana, o paradigma mudou: da construção nova passou-se para a reabilitação, que é tão urgente quanto necessária para recuperar o nosso património construído e dinamizar as nossas cidades. O investimento neste setor tem crescido, mas ainda não é suficiente. Este é um tema consensual e é necessário insistir no seu debate, apresentando e divulgando mais e melhor os programas de apoio a esta iniciativa, como por exemplo, o “Reabilitar para Arrendar”.
Com a retoma do mercado de compra e venda há uma tendência para descurar o arrendamento, correndo este o risco de diminuir. Em Portugal continua a existir a cultura da “casa própria”, mas é necessário que esta tendência possa ser invertida, especialmente pelas novas gerações que valorizam mais a facilidade da mobilidade e as vantagens de não estar “preso” a um ativo. No entanto, continuamos a ter um mercado de arrendamento a funcionar de forma deficiente, com rendas que não são suportáveis pela generalidade das famílias devido a uma fiscalidade exagerada que deve ser revista.

A banca volta a mostrar interesse pelo setor, nomeadamente através do crédito à habitação. O que terão os bancos para oferecer ao setor e particulares no âmbito do SIL?
Os bancos têm as suas próprias estratégias, e suponho que o grosso do produto que apresentarão no SIL se focará nos ativos em que há uma maior dificuldade de escoamento, nomeadamente ativos localizados em periferias com fraca procura e ativos não-habitacionais.

As casas dos bancos continuam a ser oportunidades interessantes para investidores e particulares?
Em tempos as carteiras de ativos dos bancos foram mais interessantes. Hoje em dia, a oferta que têm disponível não vai tanto ao encontro da procura, no entanto ainda existem negócios muito interessantes, tanto para investidores como para particulares.

O SIL realiza-se numa fase em que, ao contrário de outros anos, o setor da construção parece estar mais vivo e a dar sinais de retoma. Que importância tem este fator?
Tem uma importância fulcral. O setor da construção está a melhorar, ainda que ligeiramente, acima de tudo impulsionado pelo setor imobiliário. A indústria da construção tem-se focado mais no mercado da reabilitação urbana, mas aos poucos, será necessário voltar a apostar na construção nova. No entanto, ao contrário do que acontecia no passado, temos de ir ao encontro daquilo que é a procura.

Este ano, o SIL realiza-se após as eleições Legislativas. De que forma esta “coincidência” pode afetar a organização do evento? Qual a mensagem que o setor vai passar ao novo Governo?
É natural que afete. As atenções estarão obviamente mais focadas na nova legislatura, e a candidatura eleita estará mais preocupada em compor Governo, pelo que será mais difícil colocar o imobiliário na agenda do país, como tem sido hábito nos últimos anos. A mensagem que passaremos será essencialmente o reforço da importância do setor imobiliário para a Economia e a necessidade da revisão da fiscalidade aplicada sobre o mesmo, que muitas vezes é um entrave ao desenvolvimento do setor e também do país.

Que conselhos dá a quem nunca teve oportunidade de visitar um SIL e conta conhecer este ano o evento?
O SIL é uma feira importante para quem tem interesse pelo setor imobiliário, em geral, e para quem procura também comprar, arrendar ou investir neste setor. É um salão onde poderão encontrar oportunidades, falar com os agentes do setor e esclarecer eventuais dúvidas que possam existir. Estarão representadas mediadoras imobiliárias de todo o país, o setor financeiro ou promotores, entre outros.

É desde 2013 presidente do conselho estratégico do SIL, função que acumula com a de presidente da APEMIP e da CIMLOP. É difícil conjugar estas “tarefas”? Porquê?
É complexo conjugar, especialmente porque a par delas tenho também a minha vida empresarial. O tempo é pouco, mas estes são cargos para os quais fui eleito e que assumi, pelo que dou sempre o meu melhor para conseguir conciliar todas as frentes, e creio que tenho sido capaz de fazê-lo sempre em prol da evolução do sector.

É uma das personalidades que melhor conhece o setor. O que se pode esperar do imobiliário, da construção e da mediação imobiliária em 2016?
Para este ano espera-se uma evolução do número de transações a rondar os 20%, 25%. O investimento francês deverá verificar um acréscimo relativamente ao ano passado, podendo ultrapassar os chineses e eventualmente os britânicos no top de investidores estrangeiros. É um pouco cedo, para já, para fazer perspetivas para o ano 2016. O último trimestre deste ano será importante para avaliar o que aí vem, até porque teremos eleições e uma nova legislatura que poderá tomar decisões que influenciem diretamente o rumo do setor.

Os vistos gold têm gerado muita polémica. Qual o real impato do processo de corrupção no setor imobiliário?
O programa de Autorização de Residência para Atividades de Investimento (ARIs) foi um dos motores para a retoma do setor imobiliário. Por este motivo, podemos perceber a sua importância para a Economia: desde a sua criação, que este programa foi responsável pela captação de cerca de 1,5 mil milhões de euros para o país, valor que deve ser multiplicado por quatro ou cinco, pois estes clientes acabam por investir também noutros setores como a restauração, hotelaria, mobiliário, saúde, entre outros.
Qualquer escândalo desta natureza é prejudicial, especialmente porque influencia negativamente a perceção dos potenciais investidores. É natural que tenha havido uma retração, na medida em que o impacto mediático deste caso foi brutal, nacional e internacionalmente, mas sem as dimensões dramáticas de que se falou na altura. O pior, foi que depois da “operação labirinto” verificou-se uma desaceleração na emissão de processos, que creio que estaria relacionada com a atenção e cautela redobrada dos funcionários administrativos ao dar seguimento aos trâmites normais na emissão das ARIs. Entretanto, houve uma suspensão na atribuição de vistos, que levou à quase paragem de emissão autorizações de residência atribuídas, e isso sim, é problemático, pois leva os potenciais investidores a procurar alternativas como a vizinha Espanha, que tem inclusive um programa mais atrativo que o nosso.
A vantagem do imobiliário português em relação ao destes países é o facto de não termos vivido uma bolha imobiliária, da credibilidade dos nossos ativos e o seu efetivo potencial de valorização, mas se não transmitirmos ao mercado uma imagem de transparência e confiança, perderemos certamente grande parte da procura para os nossos concorrentes.

fonte: idealista news




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