terça-feira, 9 de junho de 2015

Juros da casa em mínimos de cinco anos

As famílias portuguesas que pediram crédito à habitação em Abril beneficiaram das melhores condições de financiamento em quase cinco anos. Dados divulgados sexta-feira pelo Banco Central Europeu (BCE) indicam que a taxa de juro média dos novos empréstimos à habitação realizados nesse mês se fixou, em termos médios, nos 2,41%. Seria necessário recuar até ao início do Verão de 2010 para assistir a um patamar de juros tão baixo.

A quebra do custo do financiamento para a compra de casa resultou em parte da descida dos indexantes, mas deveu-se sobretudo ao alívio dos ‘spreads' cobrados pelos bancos.

Descontando o impacto dos principais indexantes associados aos empréstimos para a compra de casa - as Euribor a três e seis meses - o ‘spread' praticado pelos bancos nacionais no mês de Abril ter-se-á fixado, em média, nos 2,35%. Desde Julho de 2011 que o preço cobrado pela banca para financiar a compra de casa não estava tão baixo. Entre Março e Abril deste ano, o ‘spread' médio cobrado encurtou perto de 30 pontos base, o que representa o corte mensal mais dilatado pelo menos desde o início de 2008.

De salientar que Abril foi um mês em que a guerra de ‘spreads' na banca esteve ao rubro. Nesse mês, houve cinco bancos a rever em baixa a sua margem mínima de ‘spreads'. Após terem conseguido diminuir o rácio de crédito sobre depósitos, os bancos estão agora a alargar um pouco os critérios apertados na concessão de crédito à habitação. Isso mesmo ficou patente no último inquérito aos bancos sobre o mercado de crédito, divulgado pelo Banco de Portugal (BdP) no início daquele mês.

"No segmento dos empréstimos a particulares para habitação, o principal factor a contribuir para uma redução da restritividade nos critérios de concessão de crédito foi a percepção de riscos relacionados com a situação e as perspectivas económicas gerais", referia o supervisor. No entanto, apesar das descidas dos ‘spreads', os bancos não equacionavam uma continuação desta diminuição das exigências na concessão de crédito. "No segmento dos particulares, a expectativa da maioria dos bancos é de uma manutenção dos critérios aplicados", revelava o BdP.

A comparação entre a média de ‘spreads' aplicada pelos bancos com os divulgados nos preçários dos bancos relativos ao mês de Abril atesta isso mesmo. A média dos ‘spreads' praticados é ligeiramente superior ao ‘spread' mínimo médio divulgado por 13 bancos: 2,25%. Ou seja, quem estava a conseguir aceder ao crédito à habitação em Abril era apenas quem dispunha do perfil menos arriscado para o banco.

Entretanto, a guerra pelos ‘spreads' mantém-se. Após novas descidas em Maio, Junho volta a ser marcado por novas revisões em baixa nas tabelas de ‘spreads' do Novo Banco e do BIC. O banco liderado por Stock da Cunha juntou-se a outros cinco bancos que disponibilizam ‘spreads' abaixo de 2%, cobrando agora a partir de 1,95% no financiamento da compra de casa. CGD, Santander, BPI-4.53%, Crédito Agrícola e Popular são os restantes bancos que cobram abaixo da fasquia dos 2%.
 
Fonte: Economico

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